Nas pinturas de Constantine Andreou sobre o beijo, narizes e bocas se encontram numa faixa de traços densos. Em Le Baiser, rostos em tons claros se destacam sobre áreas em preto e violeta; em Baiser rouge, o vermelho e o laranja envolvem as cabeças. Em Couple, os rostos aparecem em diferentes alturas.
No ensaio “Le baiser”, publicado em Femme · Femmes: Peintures (1997), Sophia Kazazi situa em 1973 o surgimento do tema do beijo. Ela descreve tanto cabeças vistas de perto quanto composições com figuras de corpo inteiro. Para a autora, o movimento circular do desenho dá a impressão de que os amantes estão num espaço sem saída. Ela pergunta:
Esse ardor, forte e terno, é sinal de proteção ou uma última despedida antes da morte?
Sophia Kazazi, “Le baiser”, em Femme · Femmes: Peintures (1997). Tradução do francês.
Rostos de perto

Em Le Baiser (1977), dois rostos em tons claros ocupam quase todo o quadro. Os olhos estão quase à mesma altura, e os narizes e as bocas se encontram ao longo de uma faixa vertical escura. Traços em preto, marrom e violeta cercam as bochechas largas. Abaixo das bocas, uma grande forma curva é dividida por traços mais curtos que se cruzam.
Kazazi compara o modo como Andreou pinta o beijo com obras de Füssli, Munch e Klimt e com L’Étreinte, de Picasso. Ela destaca sua maneira particular de tratar a linha e a luz. Na leitura da autora, as gradações de tons escuros e a densidade dos traços gráficos dão às pinturas sobre o beijo uma intimidade trágica.

Tons de rosa, vermelho e violeta cercam os rostos alongados em Les amoureux (1982). Os olhos se destacam perto do centro, enquanto traços finos de amarelo atravessam as bochechas claras. Faixas largas acima e abaixo dos rostos formam uma moldura interna; diagonais mais curtas cortam o espaço entre essas faixas.
Um beijo em vermelho

Em Baiser rouge (1978), o perfil à esquerda é amarelo-alaranjado e o da direita, creme. Traços escuros separam as bochechas largas e delineiam os narizes e as bocas. Uma longa curva envolve as duas cabeças e atravessa as áreas angulosas de vermelho e laranja ao redor.
Kazazi descreve um movimento circular contínuo nas pinturas sobre o beijo e sugere que um oval envolvendo duas figuras pode evocar o ciclo da vida, do amor e da morte. A curva ao redor dos rostos em Baiser rouge pode ser lida dessa maneira, como um limite que os mantém juntos.
Rostos em diferentes alturas

Um rosto longo, em tom claro, se estende para baixo pelo lado esquerdo de Couple (1977), abaixo das feições agrupadas na metade superior. O vermelho preenche a parte superior, e o preto, grande parte da inferior. Pequenas facetas em branco, violeta e ocre interrompem as linhas escuras entre os rostos, ligando-os às formas angulosas ao redor.
O último beijo

Em Le dernier baiser (1978), perfis em tons claros se encontram abaixo do centro de uma composição em marrom, preto e creme. Acima deles, planos inclinados atravessam traços densos. Uma faixa estreita, em tom claro, desce da borda superior e se afina em direção aos rostos.
O título sugere um encontro final, sem indicar uma história específica. A pergunta de Kazazi sobre proteção e despedida se refere ao tema como um todo; não documenta um episódio ligado a este quadro.
No texto que assina no mesmo volume, Andreou descreve a criação como um ato de amor e uma tentativa de descobrir um mundo interior. Rostos e contornos sobrepostos reaparecem em Mulheres e espelhos, em que pode ser difícil distinguir a mulher de seu reflexo.
Fontes e bibliografia
1. Sophia Kazazi, “Le baiser”, ensaio assinado “Sophie Kazazi”, em Andreou. Femme · Femmes: Peintures (Édition G. Giannoussis, 1997), sem paginação. A citação foi traduzida do francês. A data de 1973 marca o início do tema segundo a cronologia de Kazazi. Suas comparações com outros pintores descrevem a abordagem própria de Andreou; não comprovam influências diretas. As interpretações da intimidade trágica, da proteção, do confinamento e do ciclo da vida, do amor e da morte são da autora. A aplicação de sua hipótese sobre o oval a Baiser rouge é uma leitura do Arquivo a partir da reprodução.
2. Constantin Andreou, texto do artista, assinado e iniciado por “Depuis mon enfance…”, no mesmo volume. O trecho final segue sua descrição da criação como um ato de amor e uma exploração de um mundo interior.
3. Os títulos e as datas das obras seguem os registros do catálogo e as reproduções correspondentes em Femme · Femmes: Peintures. As descrições detalhadas dos quadros são observações do Arquivo a partir dessas reproduções.
