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Mulheres e espelhos

Nas pinturas de Constantine Andreou dedicadas ao espelho, um rosto ou um braço pode estar bem delineado, enquanto o restante da figura se fragmenta em traços sobrepostos. Estas cinco obras, datadas de 1974 a 1997, vão das amplas formas alaranjadas de Miroir rouge ao desenho muito mais denso de Miroir bleu.

Sophia Kazazi abre seu ensaio “Femme et Miroir”, publicado em Femme · Femmes: Peintures (1997), com uma distinção:

O espelho não é apenas uma duplicação da imagem.

Sophia Kazazi, “Femme et Miroir”, em Femme · Femmes: Peintures (1997). Tradução do francês.

No texto para a exposição de Andreou de 1987 na Antinor, em Atenas, Kazazi já descrevia o corpo nu em constante transformação, tornando-se mar ou fogo. Também destacava o ritmo, a luz e o domínio da forma e da cor pelo artista.2

Dentro da borda vermelha

Uma figura alaranjada e contornos ovais alongados aparecem dentro de uma larga borda retangular vermelha.
Miroir rouge, 1974. Pintura. CAA-W-0047. Coleção particular da família.

Em Miroir rouge (1974), uma larga borda vermelha delimita uma área alaranjada. Linhas curvas escuras contornam a cabeça e o tronco, enquanto faixas de cor atravessam diagonalmente a parte superior do corpo. Pequenos traços em azul acinzentado e em tons escuros se concentram nas laterais, deixando áreas alaranjadas maiores com poucos traços.

O retângulo vermelho funciona como uma moldura dentro da própria pintura. Nele, formas corporais arredondadas se sobrepõem; seus contornos não separam nitidamente a mulher de seu reflexo.

Kazazi compara as pinturas de Andreou com representações em que uma mulher segura um espelho ou em que o espelho faz parte da cena. Na leitura da autora, mulher e espelho formam um único conjunto pictórico. O desenho denso integra ambos ao espaço ao redor.

Dois rostos

Dois rostos em tons claros e um corpo em azul acinzentado aparecem entre áreas escuras e angulosas e braços que se cruzam.
Femme au miroir, 1978–79. Pintura. CAA-W-0054. Coleção particular da família.

Um rosto em tons claros aparece de cada lado de Femme au miroir (1978–79). Grandes formas em azul acinzentado atravessam o centro, com traços escuros concentrados junto às bordas. Poucas linhas finas delineiam o perfil à esquerda, enquanto o outro rosto é mais difícil de distinguir em meio ao desenho escuro que o cerca.

Kazazi também vê no espelho uma lembrança da passagem do tempo. Na leitura da autora, a mulher busca a confirmação de sua beleza e juventude, ao mesmo tempo que teme perdê-las.

Faixas amarelas

Uma figura com um braço erguido na diagonal aparece entre faixas verticais amarelas e pequenos traços coloridos.
Miroir jaune, 1983. Pintura. CAA-W-0056. Coleção particular da família.

O amarelo ocupa a maior parte de Miroir jaune (1983). Um braço em tom claro atravessa as faixas verticais na diagonal, em meio a pequenos traços de vermelho, azul e violeta. Esses traços se estendem pelo tronco e pelo espaço ao lado, interrompendo o contorno da figura.

Em seu ensaio, Kazazi descreve um Miroir jaune composto por zonas verticais sucessivas de cor e luz. Na pintura reproduzida aqui, as faixas verticais são bem visíveis sob os traços mais curtos e inclinados.

Dentro de um oval

Uma figura em tons claros, com um braço dobrado sobre a parte superior do corpo, aparece dentro de um grande oval de traços em azul, rosa e marrom.
Miroir ovale, 1989. Pintura. CAA-W-0030. Coleção particular da família.

Em Miroir ovale (1989), um braço largo, em tom claro, se dobra sobre a parte superior do corpo. A figura ocupa o centro de um grande oval, com traços em azul, rosa e marrom preenchendo boa parte do espaço dos dois lados. Traços longos acompanham a curva da borda esquerda; à direita, formas mais angulosas interrompem essa continuidade.

Sobre o fundo claro, é fácil acompanhar o contorno do oval de cima a baixo. Sua curva contrasta com a borda vermelha de linhas retas de Miroir rouge, embora ambas delimitem corpos cujas divisões internas são mais difíceis de distinguir.

Contornos fragmentados em azul

Formas corporais claras e braços inclinados se fragmentam em traços densos, escuros e claros, sobre um fundo azul profundo.
Miroir bleu, 1997. Pintura. CAA-W-0179. Coleção particular da família.

Miroir bleu (1997) tem um desenho denso no centro e áreas de azul profundo com menos traços perto das bordas. Braços em tons claros atravessam diagonalmente a metade superior; abaixo deles, partes do tronco permanecem visíveis entre pequenos traços escuros e claros. Os contornos ficam mais difíceis de acompanhar onde esses traços se acumulam.

No texto que assina em Femme · Femmes, Andreou usa o espelho como metáfora. Fala de atravessá-lo para ir além de uma imagem feminina idealizada, de curvas perfeitas, e recompor na pintura sua própria percepção da feminilidade. O texto prossegue descrevendo formas que se tornam cor, traços gráficos que expressam significado e a luz que vem do interior e que ele recompõe.

Essa relação próxima entre o corpo e o espaço ao redor também aparece em Amour des vagues, em que a curva de um ombro ou de um quadril se prolonga pela água.

Fontes

1. Sophia Kazazi, “Femme et Miroir”, ensaio assinado “Sophie Kazazi”, em Andreou. Femme · Femmes: Peintures (Édition G. Giannoussis, 1997), sem paginação. A citação foi traduzida do francês. A discussão sobre o tempo, a beleza, a juventude e a integração entre mulher, espelho e espaço ao redor segue o ensaio da autora. Suas referências a pinturas de espelhos pelo título não permitem, por si só, associá-las a datas ou registros específicos do catálogo. Registro no catálogo da BnF.

2. Sophia Kazazi, Εισαγωγή στο έργο του Ανδρέου [Introdução à obra de Andreou], em Andreou (Atenas: Antinor, 1987), ensaio de duas páginas sem paginação, datado de 9 de setembro de 1987; segunda página do ensaio. Arquivo Tony Spiteris, Fundação de Artes Teloglion, Universidade Aristóteles de Tessalônica. A autora trata da pintura de Andreou de forma mais ampla.

3. Constantin Andreou, texto do artista, assinado e iniciado por “Depuis mon enfance…”, no mesmo volume. A passagem sobre atravessar o espelho, ir além de uma figura idealizada e transformar a forma, os traços gráficos, a cor e a luz segue seu texto francês e apresenta os objetivos que ele próprio declara.

4. Os títulos e as datas das obras seguem os registros do catálogo e as reproduções correspondentes em Femme · Femmes: Peintures. Títulos e anos, por si só, não identificam uma obra específica. As descrições detalhadas e as comparações entre as pinturas apresentadas são observações do Arquivo a partir dessas reproduções.

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